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Investidor Prudente - melhores ações

Quando é que devo vender uma acção?

Uma grande parte dos investidores (principalmente aqueles que têm menos anos de experiência no mercado) procura em primeiro lugar comprar acções desvalorizadas, esperando posteriormente vender a um preço superior ao próximo comprador.

Isto não é investir, é especular, como nos ensina Warren Buffett e a Greater Fool Theory.

Antes de comprar uma acção

3 questões importantíssimas que o investidor tem de colocar a si próprio antes de pôr dinheiro na mesa, a fim de realizar o primeiro objectivo do investimento – o de preservar o capital investido.

Esse é o sentido da clássica piada retórica de Buffett:

Quando é que devo vender uma acção? 1 | Investidor Prudente

 

1ª QUESTÃO:

A empresa tem vantagens competitivas duradouras (moat) e fundamentos de qualidade (margens altas, elevados retornos sobre o capital, baixo endividamento, perspectivas de crescimento, etc.)?

2ª QUESTÃO:

Estou disposto a comprar esta empresa como se nunca mais a pudesse vender?

Como diz Warren Buffett, “our favorite holding period is forever”. Não importa se o investidor vai de facto manter a acção para sempre ou se vai vender já amanhã, mas investir com confiança e perspectiva de longo prazo.

3ª QUESTÃO:

Relativamente à capacidade de geração de caixa actual, o preço da cotação faz sentido?

Isto é, a empresa gera um yield (seja FCF yield ou net payout yield) superior a 6% ou, pelo menos, não inferior a 4%?

 

Estes 3 critérios estão ordenados segundo o grau de importância. Ou seja, a qualidade da empresa é mais relevante do que o preço pago.

Como os grandes investidores escolhem empresas de qualidade

Há um critério quantitativo que procuramos aqui no Prudente: a empresa deverá gerar um ROCE (Return on Capital Employed) superior a 20% de forma consistente, salvo excepções.

Este é um exemplo clássico que Terry Smith usa nos Fundsmith Annual Shareholders Meetings:

Pescar onde há peixe. Resultados: Meta +400%, Charter -50%. 1 | Investidor Prudente

Mesmo pagando o dobro do book value, uma acção de elevado ROCE tenderá a obter um desempenho superior a longo prazo.

Ou como diz Charlie Munger, sócio de Warren Buffett:

No longo prazo, é difícil uma acção obter um retorno muito melhor do que o negócio subjacente. Se o negócio ganha 6% sobre o capital ao longo de 40 anos e você o mantém por 40 anos, não vai conseguir obter um retorno muito diferente de 6%, mesmo que inicialmente o consiga comprar com um grande desconto. Por outro lado, se uma empresa ganhar 18% sobre o capital em 20 ou 30 anos, mesmo que pague um preço caro, você terminará com um bom resultado.

No universo das large caps (principalmente), é muito difícil obter um desempenho excepcional se as empresas forem pouco eficientes e apresentarem baixos retornos sobre o capital. Claro que é possível encontrar boas oportunidades de investimento em sectores de capital intensivo, com baixos retornos sobre o capital, mas neste universo não há muitas oportunidades.

Quando é que devo vender uma acção?

Ainda que o investidor seja um verdadeiro holder (como a maioria dos subscritores do Prudente, que não têm inclinação natural para vender), pode haver motivos válidos para vender uma acção:

  • Se o investidor necessitar de dinheiro. Aqui há vários casos; podemos estar a falar da necessidade de capitalizar um projecto pessoal ou da compra de outra acção melhor. Este último caso é o mais complicado de discernir.
  • Quando as perspectivas de longo prazo do negócio se deterioram de forma substancial. Por exemplo, negócios como o da Ford, da General Electric e da Washington Post eram, no século passado, mais rentáveis e menos arriscados do que nos dias de hoje. Quem há 10 anos vendeu essas empresas para comprar uma Apple ou uma Adobe (empresas com wide moat e alto retorno sobre o capital) fez um excelente negócio.
  • Se o tamanho da posição não deixar o investidor dormir à noite. Há quem não se importe de ter 100% do capital numa só empresa, mas há também quem não se sinta confortável quando uma acção atinge uma posição superior a 10% na carteira. Nestes casos (onde entra a subjectividade), pode fazer sentido vender algumas acções para ajustar a posição na carteira.
  • Para simular a distribuição do dividendo. A explicação deste conceito está dada na página 71 do Manual do Investidor Prudente.

 

Mas muitos investidores preferem nunca vender as suas acções, beneficiando do efeito de convexidade e da diversificação.

Convexidade e diversificação

Tal como Warren Buffett, eu considero que comprar e vender acções activamente poderá prejudicar o desempenho (e a saúde mental) do investidor em acções.

O que importa é poupar e investir todos os meses com consistência, de forma diversificada, deixando o efeito da convexidade actuar sobre a carteira de investimentos.

Convexidade? O que é isso?

Ao investir numa acção, as perdas são limitadas, mas os ganhos são ilimitados. Esse cenário pode ser representado por um gráfico convexo:

Quando é que devo vender uma acção? 2 | Investidor Prudente

E ao diversificar, mesmo que algumas empresas possam falir (como a Enron), as acções vencedoras engordarão a carteira de investimentos a longo prazo.

Quando é que devo vender uma acção? 3 | Investidor Prudente

Como gerir a carteira de acções?

Além da convexidade e da diversificação, é importante alimentar a carteira com novos aportes mensais, recorrendo à poupança e aos dividendos recebidos.

Se, todos os meses, o investidor poupar pelo menos 10% do seu rendimento e montar uma posição na sua acção favorita (algo que pode ser realizado ao longo de vários meses na mesma acção), vai naturalmente diversificar ao longo do tempo e fazer crescer a sua carteira de investimento, como uma bola de neve.

Fazer isto com consistência é mais importante do que tentar acertar o timing – do que comprar e vender a acção no momento certo (algo que nem os gurus conseguem fazer).

Aqui no Prudente não damos recomendações de investimento, mas disponibilizamos várias ideias de investimento:

  • publicamos diariamente análises às maiores empresas cotadas em bolsa;
  • distribuímos mensalmente a nossa Lista Completa de Acções (ordenada pelo melhor yield);
  • e a «Acção do Mês», que não é uma recomendação de compra, mas uma ideia de investimento que pode ou não interessar aos investidores.

 

Se tiver mais questões…

Que acções devo comprar?
Que montante devo investir?
Que diversificação devo ter em carteira?
Como investir baixos montantes de capital?

… não perca os nossos outros artigos:

19 Questões sobre Investimentos: encontre a resposta aqui

 

Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.

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