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A importância dos DIVIDENDOS

O livro “O Rei dos Dividendos” é capaz de abalar convicções.

Especialmente daqueles que, como eu, sempre pensaram no mercado mais como um meio para a obtenção de mais-valias.

Comprar baixo, para vender alto.

O Rei dos Dividendos (Luiz Barsi, o maior investidor particular em ações brasileiras, um bilionário) vê a questão de modo diferente.

A estratégia dele consiste em investir em empresas que lhe deem dinheiro, de forma recorrente e consistente. E se as empresas continuarem sempre a dar dinheiro, ele vai mantendo as ações para o longo prazo.

Não lhe interessa nada se as cotações sobem ou descem, só lhe interessa receber o dividendo.

É uma perspetiva bastante tranquila, pois muitas empresas mantêm os dividendos durante décadas.

Mas houve ali pelo menos duas ocasiões, que o Rei descreve no livro, em que a estratégia dos dividendos deu mau resultado.

Nesses casos – dois bancos – foram pagando dividendos, pagando dividendos até que… declararam falência, as ações valiam zero.

Então, o Barsi perdeu tudo nessas ações? Não, porque esteve bastantes anos a encaixar dividendos e esses já ficaram do seu lado. Feitas as contas não perdeu muito nessas duas ocasiões.

Tenho pensado bastante nesta questão dos dividendos e lembrei-me que noutro livro que recomendo, o Stocks for the Long Run, tem lá um capítulo que mostra a importância dos dividendos.

Na página 145, mostra que entre 1871 e 2012 (a minha edição já é um pouco antiga), as ações norte-americanas tiveram um retorno médio anual real de 6,48%.

Daqueles 6,48%, a parte dos dividendos foi 4,4% e a parte de apreciação das ações foi de 1,99%.

O Payout Ratio médio foi de 61,3%.

Ou seja, a longo prazo os dividendos são responsáveis por cerca de 2/3 do retorno real das ações.

Não mais menosprezarei a importância dos dividendos.

DIVIDENDOS: 7 Fatores a Considerar

1º – Histórico de Dividendos

Deve verificar se a empresa tem sido consistente no pagamento de dividendos ao longo de bastantes anos.

Já ouviu falar nas dividend aristocrats?

São as empresas do índice S&P500 que aumentaram o seu dividendo por ação em cada um dos últimos 25 anos.

E as dividend kings?

Estas não precisam de pertencer ao S&P500, mas têm de ter aumentado o seu dividendo ao longo dos últimos 50 ou mais anos.

Atualmente há 48 dividend kings, empresas como por exemplo a Coca-Cola, a Johnson & Johnson e a Wal Mart.

2º – Payout Ratio

O payout ratio obtém-se dividindo o dividendo por ação pelo lucro por ação (Earnings Per Share).

Mede a percentagem do lucro que é distribuída sob a forma de dividendos.

Quanto mais baixo o payout ratio, mais sustentável será o dividendo. Quanto mais alto, por exemplo se for mais de 100%, o dividendo dificilmente será sustentável porque a empresa está a distribuir mais do que aquilo que lucra.

É possível uma empresa pagar mais em dividendos do que lucra num ou noutro ano, mas será insustentável fazer isso ao longo de vários anos.

3º – Dividend Yield

O dividend yield obtém-se dividindo o dividendo por ação pela cotação e é uma medida da atratividade do dividendo.

À partida será preferível investir numa ação com um dividend yield de 8% que numa com o dividend yield de 2%, mas naturalmente é preciso ver se o de 8% é sustentável.

4º – Balanço

Existem muitas empresas que remuneram os acionistas partindo de um balanço desequilibrado e isso normalmente dá problemas no longo prazo.

A não ser que o negócio seja protegido por uma espécie de monopólio natural e mesmo aí… convém que os dividendos sejam pagos a partir de um balanço saudável.

A forma mais rápida de ver se um balanço é saudável é comparar a dívida financeira com o cash no balanço:

Dívida Financeira Líquida = Dívida Financeira – Cash & Equivalentes

Naturalmente, quanto maior a dívida financeira líquida, pior.

De qualquer modo a dívida financeira líquida deve ser vista em termos relativos. Pode compará-la com as vendas e lucros anuais, mas o rácio mais utilizado é o…

Dívida Financeira Líquida / EBITDA

…que, regra geral, deve estar abaixo de 3 vezes.

Existem outros bons rácios para avaliar a qualidade e força do balanço, mas não cabem neste e-mail.

5º – Vantagens Competitivas Duradouras

É obviamente importante conhecer a história financeira da empresa e avaliar a situação atual, mas quando se pensa em fazer um investimento a longo prazo, há que olhar para o futuro…

Como é que sabemos se uma empresa vai conseguir continuar a pagar (e se possível aumentar) o seu dividendo por ação?

Não sabemos, mas podemos procurar algumas pistas que melhoram a probabilidade de fazermos um bom investimento.

Neste ponto ajuda bastante fazer uma análise SWOT (Strenghts, Weaknesses, Opportunities and Threats) para avaliar se a empresa tem vantagens competitivas duradouras que lhe permitam obter lucros crescentes que possibilitem ir aumentando a remuneração aos seus acionistas.

6º – Impostos sobre dividendos

Cada um é responsável e tem o dever cívico de pagar os seus impostos.

Mas não deve pagar mais do que aquilo que lhe é legalmente exigido.

Se houver forma legal de pagar menos impostos sobre dividendos (por exemplo, executando os procedimentos para recuperar impostos pagos em excesso), isso deve ser feito.

De precisar tem aqui um e-book gratuito que ajuda bastante nesta questão: Guia Fiscal do Investidor em Ações 2023

 

7º – Acompanhamento

Eu sei que toda a gente procura um rendimento passivo, mas a realidade é que isso não existe. Todos os investimentos exigem um maior ou menor grau de acompanhamento.

Nas ações é necessário ir analisando e assimilando os desenvolvimentos fundamentais das empresas.

Sobre a seleção de ações fundamentalmente atrativas e o seu acompanhamento, temos este e-book:

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