“Invista em ETFs sem pensar, os índices sobem sempre”
É cada vez mais comum ouvir frases como essa. Mas será mesmo assim?
Outro adágio dos mercados também nos diz que “quando as donas de casa começam a comprar acções é hora de vender” (nada contra as donas de casa; muitas até são excelentes investidoras por estarem afastadas do ruído de Wall Street).
As duas expressões não são totalmente verdadeiras, nem falsas, apesar de formalmente contraditórias.
Em mais de 123 anos de história, 91 anos do S&P 500 foram “flat“:
S&P 500 = índice das 500 maiores empresas cotadas na bolsa americana

Claro que temos de acrescentar os dividendos e considerar o custo médio do investimento, o preço de compra, a situação particular do investidor, entre outros factores.
Mas será o que a maioria dos investidores em ETF’s aguentaria uma década de perdas?
No mercado de acções, a possibilidade de perda é baixa a longo prazo (>10 anos), mas elevada a curto e médio prazo (<5 anos):

Se o seu horizonte temporal de investimento for de longo prazo, pode considerar investir num ETF.
O que é um ETF?
“ETF” significa Exchange Traded Fund (em português, “fundo de índice cotado em bolsa”). É um fundo que é negociado em bolsa como se fosse uma acção.
É como uma cesta de activos que segue o desempenho de um índice de acções, de obrigações, de mercadorias ou de outros produtos financeiros.
Por exemplo, um ETF que segue o S&P 500 vai acompanhar o desempenho do índice das 500 maiores empresas americanas.
Como investir em ETF’s?
Tal como nas acções, para negociar ETF’s o investidor necessita de um intermediário, que pode ser uma corretora ou um banco.
Aqui não importa olhar apenas para os custos de transacção, mas para a solidez da instituição financeira, para o organismo de supervisão, para as linhas de apoio ao cliente, etc.
Em suma, deve ser uma instituição da sua confiança.
Onde Investir em ETFs em Portugal?
Para investir em ETFs em Portugal, os investidores dispõem de duas grandes vias: as corretoras regulamentadas internacionais e os bancos portugueses.
Corretoras Regulamentadas Internacionais
Estas plataformas destacam-se pela sua oferta global e, frequentemente, pelos custos mais competitivos:
- Degiro (Holanda): É reconhecida pelos seus custos baixos e pela vasta selecção de ETFs.
- Interactive Brokers (EUA): Uma escolha robusta para investidores mais profissionais, devido à sua complexidade e ferramentas avançadas.
- XTB (Polónia): Popular por oferecer zero comissões em transacções de ETFs (sujeito a limites) e suporte em Portugal.
- Trade Republic (Alemanha): Ideal para iniciantes; remunera o capital não investido.
- Trading 212 (Reino Unido/Bulgária): Oferece comissão zero em acções e ETFs; e também remunera bem o capital não investido.
- eToro (Chipre): Atrai iniciantes pela sua interface simples e vertente de social trading.
Bancos Portugueses
Para quem prefere a segurança, o suporte e a conveniência de um intermediário nacional, há vários bancos que oferecem plataformas de investimento:
- Banco BiG
- Banco Carregosa
- BCP (Millennium bcp)
- Banco Best
- etc.
Critérios de Escolha Essenciais
A decisão final deve basear-se numa análise criteriosa. Por isso, proponho 3 critérios de escolha essenciais:
- Custos: É fundamental comparar as comissões de transacção, custódia e inactividade para maximizar a rentabilidade.
- Protecção (CMVM/Equivalente): Deve verificar se a entidade está regulada e sob que regime de protecção se encontra (seja pela CMVM em Portugal ou equivalente internacional).
- Suporte: É crucial avaliar o suporte da corretora na declaração de impostos (por exemplo, se fornece relatórios fiscais) e noutros eventos corporativos (como nas OPAs ou OPVs, onde normalmente muitas corretoras low cost falham).
Riscos de investir
Ao comprar uma acção, o investidor torna-se num pequeno dono da empresa, mas no caso dos ETF’s o dono das acções é a entidade gestora – como a Vanguard, a BlackRock e a State Street, por exemplo, a quem são dados direitos de voto nas Assembleias Gerais das empresas.
Aqueles que compram ETF’s devem, por isso, conhecer os riscos aos quais estão expostos:
- Risco de Mercado
- Riscos de Liquidez
- Risco de Contraparte
- Risco de Diferença de Indexação
Tipos de ETF’s
Existem diversos tipos de ETFs, sendo os mais comuns:
- ETF Tracker – replica o desempenho do índice de referência (benchmark) como o S&P 500.
- Leverage ETF – amplia as variações do activo subjacente (pode, por exemplo, duplicar ou triplicar o comportamento do índice de referência).
- Inverse ETF – tem um desempenho inverso ao do índice de referência (quando o índice sobe, o ETF cai).
- etc.
Fiscalidade dos ETF´s
Tal como nas acções, os ETF’s podem remunerar os accionistas por via dos dividendos e geram mais-ou-menos-valias.
As mais-ou-menos-valias decorrentes da negociação de ETF’s – que resultam da diferença entre o preço de venda e de compra – devem ser declaradas ao fisco. As mais-valias obtidas com a venda de ETFs podem ser englobadas aos restantes rendimentos ou sujeitas à taxa autónoma/liberatória de 28% (regra geral). A opção pelo englobamento só compensa se a taxa marginal de IRS do contribuinte for inferior a 28% (ou se houver menos-valias a compensar).
A partir de 2024, a nova lei passou a estabelecer que uma parte das mais-valias não seja tributada, contando que o investidor mantenha as ações durante um período prolongado. Ou seja, este sistema favorece os “buy and holders” (os investidores que compram e mantêm).
Então, o esquema passa a ser o seguinte:
• Prazo de 8 ou mais anos: 30% das mais-valias não são tributadas, o que equivale a uma taxa efectiva de 19,6%.
• Prazo de 5 ou mais anos, mas menos de 8 anos: 20% das mais-valias não são tributadas, o que equivale a uma taxa efectiva de 22,4%.
• Prazo de mais de 2 anos, mas menos de 5 anos: 10% das mais-valias não são tributadas, o que equivale a uma taxa efectiva de 25,2%
Já os dividendos distribuídos pelos ETF’s estão sujeitos a retenção na fonte. Ou seja, o investidor recebe automaticamente na conta da corretora ou do banco os dividendos líquidos de impostos. Por isso é que, normalmente, é preferível investir em ETF’s acumulativos (que retêm os dividendos no próprio fundo, não havendo lugar a retenção na fonte do lado do investidor).
Ou seja, em termos fiscais, as regras são as mesmas das acções, como indica o nosso Guia Fiscal (download gratuito):

Qual o melhor ETF para investir em 2025?
Actualmente, talvez faça sentido (principalmente para os investidores com mais de 50 anos) olhar para acções individuais de qualidade, nomeadamente aquelas que pagam bons dividendos, que possam proporcionar uma renda em qualquer situação de mercado (como as que analisamos no Prudente), pois a valorização dos índices pode implicar uma longa espera por resultados positivos:
O Shiller PE (PE10) do S&P 500 indica-nos a relação entre o preço actual é os lucros médios dos últimos 10 anos ajustados pela inflação. À data da actualização deste artigo, o PE10 tinha um múltiplo de 41x.

Mas se o seu horizonte temporal de investimento for de longo prazo, e se quiser delegar a aquisição das acções para terceiros, pode considerar alguns destes ETF’s renomados:
O fundo procura acompanhar o desempenho de um índice composto por empresas (large caps, principalmente) de 23 países desenvolvidos, tendo por isso exposição a uma vasta gama de empresas globais. É um ETF físico e acumulativo.
Este fundo acompanha o desempenho do índice S&P 500 – das 500 maiores empresas norte-americanas. É um ETF físico e acumulativo.
3. Vanguard FTSE All-World High Dividend Yield UCITS ETF
Este procura replicar o índice “FTSE All-World High Dividend Yield Index“, constituído por empresas de mercados desenvolvidos e emergentes com altos dividendos.
Qual a diferença entre ETFs acumulativos (ACC) e distributivos (DIST)
Os ETF’s acumulativos reinvestem no próprio fundo os dividendos recebidos pelas participações, sem qualquer despesa extra ou impostos. Logo, o valor da ETF’s tende a aumentar no longo prazo.
Por outro lado, os ETF’s distributivos pegam nesses dividendos e distribuem-nos aos investidores (como o próprio nome indica). Estes recebem esse dinheiro e podem usá-lo como quiserem (gastar, reinvestir noutras empresas ou produtos financeiras, etc.).
Devo comprar ETF’s físicos ou sintéticos?
Estes dois termos dizem respeito à estrutura do produto. Os ETF’s físicos detêm os valores mobiliários físicos subjacentes (se for um ETF físico de acções, detém directamente as acções no fundo) e os ETF’s sintéticos acompanham o desempenho do índice através de derivados (swaps, futuros, etc.). O ideal é que sejam físicos.
Quais os custos dos ETF’s? (Total Expense Ratio)
O custo total é indicado pelo TER (“Total Expense Ratio” ou Rácio das Despesas Totais). Esta é uma medida dos custos totais associados à gestão e operação de um produto, sendo essencialmente composto pela comissão de gestão e outros custos, tais como despesas de administração, custódia, registo e outros custos de exploração. Estes custos não são pagos directamente pelo investidor (como aqueles que paga à corretora ou banco), mas são deduzidos internamente ao próprio fundo pelo próprio administrador.